Já podia...

Eu nunca diria, que chegado a esta idade, a vida ainda se me apresentaria tão misteriosa. Aliás, cada vez me parece mais indecifrável, mais complexa.
Para mim, era tudo tão simples. A minha vontade, as minhas expectativas. Depois veio um furacão que baralhou tudo! Tirando as coisas dos seus devidos lugares. 
Hoje, e por mim, sem no entanto esquecer as fendas que resultam da tempestade, tudo podia voltar ao que era antes. Quer dizer, não na totalidade, com as devidas adaptações, fruto da aprendizagem que naturalmente fiz.
Mas podia... podiam voltar, já, aos seus lugares. Já chega de tocar a vida com o travão de mão puxado. Porque desta forma, apesar da vida ir andando, ela não avança de facto. Andar com o travão de mão acionado provoca um enorme desgaste e uma névoa de fumo que não nos deixa perceber para onde estamos a ir...
Dito assim, até parece simples, mas não é, porque não depende só de mim. Há o outro lado, com a sua vontade, o seu ponto de vista, os seus medos, as suas incertezas... que desconheço, que não sei se devo questionar, que... não sei!
Só sei que nada sei (já dizia o outro, que era filósofo).

Hoje foi dia...

Hoje foi dia de dar apoio, da forma que sei e me é possível, a alguém de que muito gosto.
Hoje foi dia de ser útil a alguém que já tanto amei, mas que deixou de ver utilidade nesse mesmo amor.
Hoje foi dia de fazer algo por mim. Algo que gosto e me faz sentir tão bem.
Hoje ainda foi dia de perceber que, há pessoas para as quais, por mais que faças e te esforces, nunca é o suficiente.